Entrevista telefónica feita por mim ao Flak, dos Micro Audio Waves, na RUC. Flak fala do novo disco Odd Size Baggage, do prémio Quartz, da única Peel Session portuguesa, dos concertos e do regresso a Coimbra.
29 junho 2008
25 junho 2008
Stephin Merritt [The Magnetic Fields]
Entrevista telefónica feita por mim, na RUC, ao líder dos Magnetic Fields. Stephin Merritt fala da sua mudança de NY para LA, dos The Jesus and Mary Chain, de um concerto dos Einstürzende Neubaten, do novo disco Distortion e de zombies. Uma chamada internacional cheia de ironia e de delay...
26 maio 2008
Scarlett Johansson
[Anywhere I Lay My Head . Atco Records . 2008]

É difícil combater o preconceito: mais uma cara bonita que pensa que sabe cantar e que sempre quis gravar um disco... Esta será a reacção de muito boa gente à notícia de que Scarlett Johansson se lançou na gravação de um álbum.
Mas se inicialmente é o preconceito que prevalece (associado à curiosidade que o universo das 'celebridades' arrasta consigo) com a audição de Anywhere I Lay My Head cresce o sentimento de estranheza.
Estranheza que pode originar uma imediata recusa ou sentença definitiva. A mesma estranheza, no entanto, que geralmente envolve a primeira audição de grande discos que se vão assimilando e redescobrindo a cada audição.
Desde logo, Scarlett tem o mérito de se saber rodear. Para a produção chamou Dave Sitek dos TV On The Radio, que por sua vez convidou Nick Zinner, guitarrista dos Yeah Yeah Yeah's, Sean Antanaitis dos também nova-iorquinos Celebration e ainda o incontestável David Bowie, que canta em Falling Down e Fannin Street.
O disco é uma homenagem ao seu compositor de eleição, Tom Waits, mas apesar dessa premissa eventualmente redutora, Scarlett consegue não fazer um disco 'óbvio'. As escolhas das músicas é criteriosa e a sua sonoridade reveste os esqueletos de Waits com várias camadas de shoegaze (percebe-se agora a sua aparição em palco com os The Jesus and Mary Chain, no Festival Coachella há cerca de um ano). A excepção às composições de Waits chama-se Song For Jo, escrita pela própria Johansson e por Sitek.
Editado no início de Maio, pela Atco Records, Anywhere I Lay My Head apresenta uma Scarlett Johansson de extremos: doce mas áspera, insegura mas atrevida, soturna mas luminosa.
Primeiro estranha-se, depois...

É difícil combater o preconceito: mais uma cara bonita que pensa que sabe cantar e que sempre quis gravar um disco... Esta será a reacção de muito boa gente à notícia de que Scarlett Johansson se lançou na gravação de um álbum.
Mas se inicialmente é o preconceito que prevalece (associado à curiosidade que o universo das 'celebridades' arrasta consigo) com a audição de Anywhere I Lay My Head cresce o sentimento de estranheza.
Estranheza que pode originar uma imediata recusa ou sentença definitiva. A mesma estranheza, no entanto, que geralmente envolve a primeira audição de grande discos que se vão assimilando e redescobrindo a cada audição.
Desde logo, Scarlett tem o mérito de se saber rodear. Para a produção chamou Dave Sitek dos TV On The Radio, que por sua vez convidou Nick Zinner, guitarrista dos Yeah Yeah Yeah's, Sean Antanaitis dos também nova-iorquinos Celebration e ainda o incontestável David Bowie, que canta em Falling Down e Fannin Street.
O disco é uma homenagem ao seu compositor de eleição, Tom Waits, mas apesar dessa premissa eventualmente redutora, Scarlett consegue não fazer um disco 'óbvio'. As escolhas das músicas é criteriosa e a sua sonoridade reveste os esqueletos de Waits com várias camadas de shoegaze (percebe-se agora a sua aparição em palco com os The Jesus and Mary Chain, no Festival Coachella há cerca de um ano). A excepção às composições de Waits chama-se Song For Jo, escrita pela própria Johansson e por Sitek.
Editado no início de Maio, pela Atco Records, Anywhere I Lay My Head apresenta uma Scarlett Johansson de extremos: doce mas áspera, insegura mas atrevida, soturna mas luminosa.
Primeiro estranha-se, depois...
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12 abril 2008
The Breeders
[Mountain Battles : 4AD . 2008]

As irmãs Deal estão de volta. Foi a isso que nos habituaram: grandes paragens intercaladas com meticulosos reaparecimentos. Kim, a eterna líder dos The Breeders e a sua irmã gémea, Kelley, têm em Mountain Battles um regresso que era obrigatório.

As irmãs Deal estão de volta. Foi a isso que nos habituaram: grandes paragens intercaladas com meticulosos reaparecimentos. Kim, a eterna líder dos The Breeders e a sua irmã gémea, Kelley, têm em Mountain Battles um regresso que era obrigatório.
Obrigatório porque o anterior Title TK (2002) tinha deixado um certo sabor a ferrugem. Obrigatório porque sabíamos que as meninas, chamassem fosse quem fosse para o baixo e para a bateria, conseguiriam fazer mais um album perfeito, como fora Last Splash (1993).
Steve Albini, produtor dos The Pixies (onde Kim Deal era o anjo do diabólico Frank Black), também esteve, mais uma vez, metido ao barulho. É também dele o mérito de conseguir criar um disco tão diverso quanto coerente. A filosofia All Wave, onde os computadores e os processos digitais são preteridos a favor da gravação analógica, foi religiosamente utilizada nas diversas sessões feitas em diferentes locais e ao longo de tempos muito dispersos. Mas o rock lo-fi, a folk, o experimentalismo (no que de improviso e dissonante reveste o termo) e até um improvável bolero, convivem em Mountain Battles sem qualquer atrito, ou se preferirem, com a dose exacta do mesmo.
Steve Albini, produtor dos The Pixies (onde Kim Deal era o anjo do diabólico Frank Black), também esteve, mais uma vez, metido ao barulho. É também dele o mérito de conseguir criar um disco tão diverso quanto coerente. A filosofia All Wave, onde os computadores e os processos digitais são preteridos a favor da gravação analógica, foi religiosamente utilizada nas diversas sessões feitas em diferentes locais e ao longo de tempos muito dispersos. Mas o rock lo-fi, a folk, o experimentalismo (no que de improviso e dissonante reveste o termo) e até um improvável bolero, convivem em Mountain Battles sem qualquer atrito, ou se preferirem, com a dose exacta do mesmo.
Mas o mérito principal vai, provavelmente, para a voz doce de Kim Deal. Uma doçura que já conhecemos, mas que com o passar do tempo se vai tornando quase maternal.
Foi novamente a inglesa 4AD que colocou o selo em mais esta gravação da banda, que andará em digressão pelos Estados Unidos e pela Europa, durante a Primavera e o Verão. Esperamos ansiosamente...
//myspace
08 março 2008
Vagabond Opera
No tempo em que os homens usavam chapéu
CAE, Figueira da Foz 07.03.2008
foto: bruno raposo
Foi ainda com dúvidas sobre se o que teria atraído mais as pessoas ao concerto tinha sido a mistura de Cabaret, Tango e Opera praticada pelos Vagabond Opera, se a sua aparição recente no programa da Fátima Lopes, foi ainda com dúvidas, dizia, que a luz se apagou. Um foco atingiu o palco e assim que a menina Lesley Kernochan colocou uma moedinha num balde e deu a uma manivela imaginária, o espectáculo começou.
Em trajes que, não fosse o seu excelente estado de conservação, poderiam ter quase um século, surgiram um cantor de ópera acordionista e mestre de cerimónias, um saxofonista dançarino e cantor, uma saxofonista e cantora lírica com agudos impossíveis que também tocava serrote, um virtuoso violoncelista aparentemente alheado do mundo em movimentos deslizantes como quem apaga cigarros, um contrabaixista com cara de bom rapaz e um baterista que falava português com sotaque do Brasil.
Foi este sexteto que durante hora e meia conseguiu misturar nomes como Édith Piaf, Charlie Chaplin e Jacques Brel, lugares como o Mississipi, Itália e Macedónia e estilos como a valsa, a chanson française e música cigana. O espectáculo vinha "enlatado e pronto a consumir", em tudo o que isso possa ter de bom e de mau. Algo nervosos e presos na primeira metade do concerto, foram aos poucos mexendo-se mais naturalmente, contando algumas historietas e criando empatia com o público, o que foi apenas totalmente conseguido no encore. Conseguiram mesmo levar à histeria pelo menos 3 meninas que, com grande probabilidade, se chamariam Rita, Joana e Teresinha.
Depois de abandonar o palco a banda deve ter desatado a correr pelo backstage pois ao sairmos do Auditório já estava a vender os seus dois discos editados até ao momento "Get On The Train", de 2003, e "Vagabond Opera", de 2006, bem como a dar alguns autógrafos e a tirar fotografias com quem assim quisesse.
Foi aí que nos confessaram que tinham feito, pela primeira vez, playback no programa da Fátima Lopes e que tinham ficado muito impressionados tanto com o ventríloquo residente no programa como com o senhor que antes tinha estado a falar sobre hemorróidas.
Enfim, tudo bons rapazes…
CAE, Figueira da Foz 07.03.2008
foto: bruno raposoO Grande Auditório do Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz foi, de facto, demasiado grande para os Vagabond Opera, banda de Portland, pela primeira vez no nosso país. Estaria cerca de um quarto da sua capacidade total ocupada, maioritariamente por casais de meia-idade, bem vestidos e, certamente, à espera de um “agradável serão”…
Foi ainda com dúvidas sobre se o que teria atraído mais as pessoas ao concerto tinha sido a mistura de Cabaret, Tango e Opera praticada pelos Vagabond Opera, se a sua aparição recente no programa da Fátima Lopes, foi ainda com dúvidas, dizia, que a luz se apagou. Um foco atingiu o palco e assim que a menina Lesley Kernochan colocou uma moedinha num balde e deu a uma manivela imaginária, o espectáculo começou.
Em trajes que, não fosse o seu excelente estado de conservação, poderiam ter quase um século, surgiram um cantor de ópera acordionista e mestre de cerimónias, um saxofonista dançarino e cantor, uma saxofonista e cantora lírica com agudos impossíveis que também tocava serrote, um virtuoso violoncelista aparentemente alheado do mundo em movimentos deslizantes como quem apaga cigarros, um contrabaixista com cara de bom rapaz e um baterista que falava português com sotaque do Brasil.
Foi este sexteto que durante hora e meia conseguiu misturar nomes como Édith Piaf, Charlie Chaplin e Jacques Brel, lugares como o Mississipi, Itália e Macedónia e estilos como a valsa, a chanson française e música cigana. O espectáculo vinha "enlatado e pronto a consumir", em tudo o que isso possa ter de bom e de mau. Algo nervosos e presos na primeira metade do concerto, foram aos poucos mexendo-se mais naturalmente, contando algumas historietas e criando empatia com o público, o que foi apenas totalmente conseguido no encore. Conseguiram mesmo levar à histeria pelo menos 3 meninas que, com grande probabilidade, se chamariam Rita, Joana e Teresinha.
Depois de abandonar o palco a banda deve ter desatado a correr pelo backstage pois ao sairmos do Auditório já estava a vender os seus dois discos editados até ao momento "Get On The Train", de 2003, e "Vagabond Opera", de 2006, bem como a dar alguns autógrafos e a tirar fotografias com quem assim quisesse.
Foi aí que nos confessaram que tinham feito, pela primeira vez, playback no programa da Fátima Lopes e que tinham ficado muito impressionados tanto com o ventríloquo residente no programa como com o senhor que antes tinha estado a falar sobre hemorróidas.
Enfim, tudo bons rapazes…
02 fevereiro 2008
Madrugada
[Madrugada : Malabar Recording Company . 2008]

É quase impossível falar de Madrugada, o album homónimo da banda norueguesa, sem constatar que este está marcado simultaneamente pela ausência e pela presença de Robert Buräs.
A gravação foi concluída por Sivert Hoyem (voz) e Frode Jacobsen (baixo) que encararam o processo como uma terapia e como a forma mais genuína de se manterem fiéis à visão que os três, em conjunto, tinham construído para este album. Album que termina simbolicamente com Our Time Won't Live That Long, cantado por Buräs, algo de inédito nos Madrugada, apesar de acontecer no seu projecto paralelo, os My Midnight Creeps.
Este é já o quinto LP de estúdio desta banda que já visitou Portugal em três ocasiões e sucede a Live At Tralfamadore, o seu registo ao vivo editado em 2005. Madrugada, lançado pela editora da banda, a Malabar, voltou a contar com John Agnello na produção, ele que já tinha produzido aquela que é a obra prima dos Madrugada, The Nightly Disease, em 2001 e misturado o primeiro longa duração da banda, Industrial Silence, de 1999.
As composições deste album são construídas, uma a uma, como se fossem um derradeiro sopro da sonoridade que os Madrugada construiram. É a confirmação, se esta fosse precisa, do sangue que tem percorrido as veias dos Madrugada nos últimos 10 anos: sobre as estruturas da trilogia rock, folk e blues, patentear uma identidade absolutamente reconhecível.
Esta é uma delas. O primeiro single, Look Away Lucifer.
//myspace

É quase impossível falar de Madrugada, o album homónimo da banda norueguesa, sem constatar que este está marcado simultaneamente pela ausência e pela presença de Robert Buräs.
Composto maioritariamente na primeira metade de 2007, antes da trágica e enigmática morte do guitarrista, encontrado sem vida no chão de sua casa, aos 31 anos, o disco foi gravado entre a Escandinávia e os Estados Unidos.
A gravação foi concluída por Sivert Hoyem (voz) e Frode Jacobsen (baixo) que encararam o processo como uma terapia e como a forma mais genuína de se manterem fiéis à visão que os três, em conjunto, tinham construído para este album. Album que termina simbolicamente com Our Time Won't Live That Long, cantado por Buräs, algo de inédito nos Madrugada, apesar de acontecer no seu projecto paralelo, os My Midnight Creeps.
Este é já o quinto LP de estúdio desta banda que já visitou Portugal em três ocasiões e sucede a Live At Tralfamadore, o seu registo ao vivo editado em 2005. Madrugada, lançado pela editora da banda, a Malabar, voltou a contar com John Agnello na produção, ele que já tinha produzido aquela que é a obra prima dos Madrugada, The Nightly Disease, em 2001 e misturado o primeiro longa duração da banda, Industrial Silence, de 1999.
As composições deste album são construídas, uma a uma, como se fossem um derradeiro sopro da sonoridade que os Madrugada construiram. É a confirmação, se esta fosse precisa, do sangue que tem percorrido as veias dos Madrugada nos últimos 10 anos: sobre as estruturas da trilogia rock, folk e blues, patentear uma identidade absolutamente reconhecível.
Esta é uma delas. O primeiro single, Look Away Lucifer.
//myspace
20 janeiro 2008
The Go! Team + Coldfinger
A noite em que os extra-terrestres desceram ao Porto.
Casa da Música, Porto 19.01.2008
foto: Bruno Raposo
Dia 19 de Janeiro de 2008, viagem Coimbra – Porto com destino a mais uma noite de "Clubbing", na Casa da Música, evento em tons cor-de-laranja, promovido por uma operadora de telemóveis. O objectivo: assistir ao 3º concerto dos ingleses The Go! Team em Portugal, eles que tinham estado na noite anterior no Lux, em Lisboa, e no ano passado no Oeiras Alive.
Casa da Música, Porto 19.01.2008
Dia 19 de Janeiro de 2008, viagem Coimbra – Porto com destino a mais uma noite de "Clubbing", na Casa da Música, evento em tons cor-de-laranja, promovido por uma operadora de telemóveis. O objectivo: assistir ao 3º concerto dos ingleses The Go! Team em Portugal, eles que tinham estado na noite anterior no Lux, em Lisboa, e no ano passado no Oeiras Alive.
Antes de subirem ao palco os rapazes e raparigas de Brighton, passaram pela Sala 2 da Casa da Música, toda forradinha a painéis vermelhos que proporcionam uma óptima acústica, os lisboetas Coldfinger de Margarida Pinto e Miguel Cardona que proporcionaram um concerto algo morno, ao som do seu último LP ‘Supafacial’, editado em 2007, após um interregno de 5 anos.
Mas quem lá estava, estava lá para outra coisa e não teve grande dificuldade em responder à pergunta/grito de abertura da MC Ninja: “Who came here to partyyyyy?!” Se a Casa da Música é muitas vezes comparada a um OVNI, então os The Go! Team foram os seus dignos ocupantes, disparando feixes de energia sonora altamente dançável para os terráqueos que estavam à sua frente. É difícil descrever esta banda, até porque os seus elementos saltitavam freneticamente entre todos os instrumentos, que incluíam duas baterias, (uma não chegava, pois claro!...).
Mas é também impossível não nos rendermos praticamente de imediato a uma vocalista que parece que veio directa do Bronx onde estava a saltar à corda com as amigas, duas meninas com a tranquilidade tipicamente oriental (uma mais voltada para a guitarra e outra para a bateria), um outro baterista que também debitava feed-back na guitarra e se agarrava a uma gaita de beiços, um teclista com ar nórdico e com vontade de experimentar, e, finalmente, um baixista com o aspecto de quem saiu de uma série americana do final dos anos 70, ele que ao longo de todo o concerto se manteve (quase) fiel às suas 4 cordas, tendo-as apenas deixado no ‘encore’ para se dedicar de alma e coração a um xilofone.
O alinhamento (pedaço de papel muito cobiçado no final do concerto) intercalou temas dos seus dois discos, ‘Thunder, Lightning, Strike!’, de 2004 e ‘Proof Of Youth’, do ano passado, com destaque para ‘Grip Like a Vice’ e ‘Ladyflash’. Apenas ficou a faltar a muito requisitada versão de ‘Bull In The Heather’, dos Sonic Youth, que Ian Parton e Kaori Tsuchida nos negaram com um sorriso. Os The Go! Team são, de facto, uma equipa que não sabe para onde vai... E o melhor, é que nós também não.
(Ainda uma dica, daquelas de reportagem turística para uma qualquer revista da especialidade: Não deixar escapar a oportunidade de jantar no restaurante/tasca ‘Reis & Soares’, mesmo na Rotunda da Boavista. Um local muito peculiar…)
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