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30 outubro 2008

Blitzen Trapper

[Furr . Sub Pop . 2008]









Já estamos todos habituados a que de Portland, Oregon nos chegue óptima música. O novo disco dos Blitzen Trapper é mais um exemplo para acrescentar à lista.

Depois de 'Blitzen Trapper' (2003) e 'Field Rexx' (2004), ao terceiro longa duração com edição de autor 'Wild Mountain Nation' (2007), recebem a atenção e a crítica favorável de publicações como a Spin e a Nerve e dos sites Pitchfork Media e Stereogum. Esta exposição permite ao sexteto mudar-se para a 'Subpop', selo que lançou, em Setembro deste ano, 'Furr'.

Se estes rapazes de Portland pudessem escolher outro tempo para viver, escolheriam certamente os anos 60 e 70. É lá que este disco nasce, na folk, no psicadelismo e até no glam rock, marcantes nessas décadas. É, portanto, quase impossível ouvir 'Furr' e não recordar nomes como Bob Dylan, The Beatles, 13th Floor Elevators, Buffalo Springfield e David Bowie, mas também bandas mais recentes como os Pavement ou Of Montreal

Eric Earley é o líder da banda e foi também o produtor deste disco. Compôs a maioria das músicas num velho piano resgatado de uma antiga escola de dança e dele resta, nas gravações, o seu som distintivo em faixas como 'Not Your Lover' e 'Echo/Always On/EZ Con'.

Vagueando entre temas mais acústicos, como 'Furr' (ver vídeo), 'Lady on the Water' e 'Black River Killer', outros com toadas pop, como 'Sleepytime in the Western World' e 'God & Suicide' e ainda o inevitável rock em 'Fire & Fast Bullets' e 'Love U', os Blitzen Trapper conseguem um disco com uma impressionante coesão sonora. É um disco extremamente sólido e viciante, daqueles em que não se pode tirar uma nota que seja.


07 outubro 2008

Domingo

[Domingo . 3rd Side Records . 2008]

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Pouco se sabe ainda sobre os Domingo. Vêm de Paris e são compostos por Anna (uma menina de grandes olhos negros) e Samy (um rapaz de barba e cabelos ruivos). Ela tem ascendência americana e ele libanesa. Vivem juntos. Gostam de Elliot Smith, Bonnie Prince Billy, Nick Drake, Grandaddy...

Estaria já dito, talvez, o suficiente para despertar a curiosidade de muitos... Anna e Samy lançaram recentemente, pela 3rd Side Records, o seu disco de estreia. Chama-se também Domingo, um nome que foram buscar ao castelhano, mas que também poderiam ter vindo buscar ao português... É um album de músicas acústicas, onde surgem alguns sopros de percussão e teclados, mas onde as guitarras e as vozes imperam em canções tão doces quanto tristes.

A palavra que talvez possa melhor descrever este(s) Domingo é delicadeza. Letras que falam de desertos, da adolescência, de segredos de família, de confissões, conduzem-nos por melodias simples, mas encantadoras.

Para ouvir grande parte do album basta ir ao myspace da banda. Como é difícil arranjá-lo, eu empresto-o a quem o quiser...

26 maio 2008

Scarlett Johansson

[Anywhere I Lay My Head . Atco Records . 2008]













É difícil combater o preconceito: mais uma cara bonita que pensa que sabe cantar e que sempre quis gravar um disco... Esta será a reacção de muito boa gente à notícia de que Scarlett Johansson se lançou na gravação de um álbum.

Mas se inicialmente é o preconceito que prevalece (associado à curiosidade que o universo das 'celebridades' arrasta consigo) com a audição de Anywhere I Lay My Head cresce o sentimento de estranheza.

Estranheza que pode originar uma imediata recusa ou sentença definitiva. A mesma estranheza, no entanto, que geralmente envolve a primeira audição de grande discos que se vão assimilando e redescobrindo a cada audição.

Desde logo, Scarlett tem o mérito de se saber rodear. Para a produção chamou Dave Sitek dos TV On The Radio, que por sua vez convidou Nick Zinner, guitarrista dos Yeah Yeah Yeah's, Sean Antanaitis dos também nova-iorquinos Celebration e ainda o incontestável David Bowie, que canta em Falling Down e Fannin Street.

O disco é uma homenagem ao seu compositor de eleição, Tom Waits, mas apesar dessa premissa eventualmente redutora, Scarlett consegue não fazer um disco 'óbvio'. As escolhas das músicas é criteriosa e a sua sonoridade reveste os esqueletos de Waits com várias camadas de shoegaze (percebe-se agora a sua aparição em palco com os The Jesus and Mary Chain, no Festival Coachella há cerca de um ano). A excepção às composições de Waits chama-se Song For Jo, escrita pela própria Johansson e por Sitek.

Editado no início de Maio, pela Atco Records, Anywhere I Lay My Head apresenta uma Scarlett Johansson de extremos: doce mas áspera, insegura mas atrevida, soturna mas luminosa.

Primeiro estranha-se, depois...
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12 abril 2008

The Breeders

[Mountain Battles : 4AD . 2008]














As irmãs Deal estão de volta. Foi a isso que nos habituaram: grandes paragens intercaladas com meticulosos reaparecimentos. Kim, a eterna líder dos The Breeders e a sua irmã gémea, Kelley, têm em Mountain Battles um regresso que era obrigatório.

Obrigatório porque o anterior Title TK (2002) tinha deixado um certo sabor a ferrugem. Obrigatório porque sabíamos que as meninas, chamassem fosse quem fosse para o baixo e para a bateria, conseguiriam fazer mais um album perfeito, como fora Last Splash (1993).

Steve Albini, produtor dos The Pixies (onde Kim Deal era o anjo do diabólico Frank Black), também esteve, mais uma vez, metido ao barulho. É também dele o mérito de conseguir criar um disco tão diverso quanto coerente. A filosofia All Wave, onde os computadores e os processos digitais são preteridos a favor da gravação analógica, foi religiosamente utilizada nas diversas sessões feitas em diferentes locais e ao longo de tempos muito dispersos. Mas o rock lo-fi, a folk, o experimentalismo (no que de improviso e dissonante reveste o termo) e até um improvável bolero, convivem em Mountain Battles sem qualquer atrito, ou se preferirem, com a dose exacta do mesmo.

Mas o mérito principal vai, provavelmente, para a voz doce de Kim Deal. Uma doçura que já conhecemos, mas que com o passar do tempo se vai tornando quase maternal.


Foi novamente a inglesa 4AD que colocou o selo em mais esta gravação da banda, que andará em digressão pelos Estados Unidos e pela Europa, durante a Primavera e o Verão. Esperamos ansiosamente...


//myspace

02 fevereiro 2008

Madrugada

[Madrugada : Malabar Recording Company . 2008]














É quase impossível falar de Madrugada, o album homónimo da banda norueguesa, sem constatar que este está marcado simultaneamente pela ausência e pela presença de Robert Buräs.

Composto maioritariamente na primeira metade de 2007, antes da trágica e enigmática morte do guitarrista, encontrado sem vida no chão de sua casa, aos 31 anos, o disco foi gravado entre a Escandinávia e os Estados Unidos.

A gravação foi concluída por Sivert Hoyem (voz) e Frode Jacobsen (baixo) que encararam o processo como uma terapia e como a forma mais genuína de se manterem fiéis à visão que os três, em conjunto, tinham construído para este album. Album que termina simbolicamente com Our Time Won't Live That Long, cantado por Buräs, algo de inédito nos Madrugada, apesar de acontecer no seu projecto paralelo, os My Midnight Creeps.

Este é já o quinto LP de estúdio desta banda que já visitou Portugal em três ocasiões e sucede a Live At Tralfamadore, o seu registo ao vivo editado em 2005. Madrugada, lançado pela editora da banda, a Malabar, voltou a contar com John Agnello na produção, ele que já tinha produzido aquela que é a obra prima dos Madrugada, The Nightly Disease, em 2001 e misturado o primeiro longa duração da banda, Industrial Silence, de 1999.

As composições deste album são construídas, uma a uma, como se fossem um derradeiro sopro da sonoridade que os Madrugada construiram. É a confirmação, se esta fosse precisa, do sangue que tem percorrido as veias dos Madrugada nos últimos 10 anos: sobre as estruturas da trilogia rock, folk e blues, patentear uma identidade absolutamente reconhecível.

Esta é uma delas. O primeiro single, Look Away Lucifer.



//myspace